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Existe vida depois da formatura?

O que farei depois de terminar o curso? Em qual área devo seguir? Para responder essas e tantas outras perguntas a GAIAjr convidou ex-alunos da UTFPR – Londrina para contar um pouco sobre suas vidas após a formatura. Confira a primeira entrevista feita com a Engenheira Ambiental Letícia de Carvalho que trabalha na CONASA – Companhia Nacional de Saneamento

GJ: Em qual área da Engenharia Ambiental você trabalha?

LC: Saneamento, especificamente com os eixos água e esgoto.

GJ: Como foi entrar no mercado de trabalho?

LC: Meu primeiro contato com o mercado foi a partir do estágio, por isso sugiro aos alunos que realizem ao menos um estágio (obrigatório ou não) fora da Universidade. Ao ser efetivada foi uma grande alegria pra mim porque há toda aquela emoção e orgulho de ver escrito “engenheira”na carteira de trabalho, mas nem tudo são flores, aprendi muito sobre como é a realidade dos “senhores dos negócios” bem como a me manter firme diante das adversidades, é um contexto completamente diferente do que vivemos na faculdade, fazemos amigos de verdade? Sim, com certeza, mas também devemos ficar com um olho no peixe e outro no gato.

GJ: Você se sentia preparada para o mercado quando saiu da graduação?

LC: Se assustar com o novo, com o desconhecido é normal, no meu caso como já havia estagiado um ano na empresa não tive tanta preocupação ao me tornar “trabalhadora de fato”, entretanto antes ao fazer buscas em outras vagas, e até concurso e verificar as atividades a serem

desenvolvidas dá sim um frio na barriga ao pensar: “eu nunca fiz isso! Será que tem algum modelo? Será que alguem vai me ensinar como fazer?” Isso porque realmente na faculdade não aprendemos a trabalhar, infelizmente.

GJ: Quais dicas você daria para os alunos que estão se formando?

LC: Para os formandos aconselho que tentem sim uma vaga no mercado. No começo da faculdade eu tinha plena convicção de que me tornaria uma acadêmica, tinha muita vontade de continuar estudando e imendar o mestrado e o doutorado. Continuo achando a ideia da pesquisa um caminho bom, mas a experiência de vida que se tem ao estar em contato com pessoas de outras áreas de atuação como administradores, contadores, advogados, empresários, engenheiros de outras especialidades agrega muito conhecimento. Nesse sentido do conhecimento agregado também, sugiro que façam uma pós graduação em outra área de conhecimento, porque muito provavelmente irão trabalhar em alguma empresa multifacetada, não exclusiva do âmbito ambiental, por isso ter know how (ou mesmo a intenção, porque não dá pra terminar a pós num estalo de dedos assim que se egressa da faculdade) de outra área é um diferencial.

GJ: Quais dicas você daria para os alunos que estão entrando no curso?

LC: Aos alunos que estão começando: não desanimem, os cálculos, as físicas e as químicas vão acabar e quando você estiver fazendo Termodinamica vai dizer: Senhor essa engenharia não era nada do que eu pensava! Brincadeira, mas há um fundo de verdade nisso, às vezes essas matérias gerais parecem não agregar em nada na nossa formação e criam aquela nuvem negra sobre a cabeça no sentido de “onde é que eu vou usar isso?”, mas sim, você vai usar isso, já tive que calcular volume de um lago por integral, já tive que entender a reação de um coagulante, já tive que calcular o consumo de produto quimico com todas aquelas relações de concentração. Não se assustem, é um esforço agora pra desenvolverem um raciocínio rápido e preciso! No âmbito acadêmico sugiro que se envolvam com iniciação, que participem das monitorias, grupos de estudo desenvolvidos pela faculdade ou entre os alunos mesmo, e que “fiquem no pé dos professores” tirem todas as dúvidas que tiverem, não tenham vergonha de perguntar nada, mas vale um rubor no rosto por perguntar uma coisa boba do que queimar a cara la fora depois por dizer bobagem pelo fato de não ter perguntado quando podia.

GJ: Como você vê a Engenharia Ambiental na situação econômica do nosso país?

LC: Frente a esses desastres ambientais que temos visto confesso que fico chocada e envergonhada pela falta de ética que alguns colegas de profissão tem trabalhado. Devemos sim ter o entendimento de que a produtividade demanda recursos e que a extração dos mesmos é necessária, mas o que é certo é certo e ponto. Creio que as atividades de vistoria, licenciamento não devem ser deixadas em segundo plano por uma questão de contenção de gastos, pois investir na esfera ambiental infere num ganho de médio a longo prazo. Não sou economista, mas vamos supor que diante da crise econômica, e da visibilidade que se deu às catastrofes ambientais, se o governo tender a obter recursos por vias secundárias aqueles que estiverem com inadequações ambientais serão multados, casos nos quais antes se faziam vista grossa hoje não serão mais, dado o desespero por obtenção de receitas. Outro ponto: se não houver um cuidado com os recursos naturais, os mesmos se tornarão excassos em um tempo menor do que o previsto pelos empresários, o que os levará a ter mais gastos/dívidas não previstos. Diante disso acho que a Engenharia Ambiental não deve ser vista como supérfluo, mas sim como algo necessário para se evitar gastos maiores no futuro alem de ser um meio de garantir por mais tempo a manutenção do recurso.

GJ: Quais as dificuldades que você encontrou depois da graduação?

LC: Por ser o primeiro emprego senti dificuldade com relação à esfera empresarial, há aquele anseio em dizer “sou engenheira, sou boa no que faço”, mas ao mesmo tempo há aquele peso de “é só meu primeiro ano”, então conseguir conciliar a sua autovalorização com a pouca valorização externa sem deixar que sua propria confiança diminua foi pra mim a maior dificuldade. Creio também que a esperança, ou em alguns casos a falta dela, possa ser uma vilã também, no sentido de vislumbrar algo novo, algo maior do que já se está vivendo..Mas, o futuro a Deus pertence, e se Ele cuida dos passarinhos e não deixa falar nada pra eles quanto mais vai cuidar de nós né!